Mostrando postagens com marcador LITERATURA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador LITERATURA. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 23 de novembro de 2010

TERRITÓRIOS DA FICÇÃO DISCUTE LITERATURA BAIANA

Os alunos do curso de Comunicação Social da UFRB – Universidade Federal do Recôncavo da Bahia realizam até o dia 09 de dezembro de 2010 o Territórios da Ficção – Literatura Brasileira no Século XXI. O evento, que acontece desde o dia 22 de novembro de 2010, é produto final da disciplina optativa Literatura Brasileira, ministrada pelo professor Carlos Ribeiro e reúne autores para discussão de diversos gêneros da literatura baiana.

Além da participação dos autores estudados ao longo do semestre, o Territórios da Literatura contará com o lançamento, exposição e venda de livros desses autores e com apresentação de trabalhos dos alunos. O evento, que é gratuito e aberto a toda comunidade, acontecerá no auditório da Fundação Hansen Bahia e no auditório do CAHL – Centro de Artes, Humanidades e Letras da UFRB, na cidade de Cachoeira - Bahia.

Confira abaixo a programação completa.

22/11(Segunda-feira) - Auditório do Hansen – Állex Leilla e Marcus Vinícius Rodrigues – Território 01 – Espaços da intimidade

14h - Comunicações:
  • Janaína Ezequiel França: O sol que a chuva apagou / Állex Leilla
  • Gabrielle Alano Carcavilla: 3 vestidos e meu corpo nu / Marcus Vinícius Rodrigues
  • Jana Cambuí Alves Lima: Vestígios da Senhorita B / Renata Belmonte
  • Gabrielle Alano Carcavilla: Laços de família / Clarice Lispector
15h - Depoimentos:
  • Marcus Vinícius Rodrigues
  • Állex Leilla
16h - Debate

29/11 (Segunda-Feira)Auditório do Hansen – Mayrant Gallo e Aleilton Fonseca – Território 02 – De agora e de ontem: recortes ficcionais

14h - Comunicações:
  • Perivaldo Costa Pinto Júnior: O inédito de Kafka / Mayrant Gallo
  • Roberval Miranda de Santana: O pêndulo de Euclides / Aleilton Fonseca
  • André Gustavo de Souza Cardoso: Essa terra / Antonio Torres
  • Taísa Agatha Costa da Silveira: Os bandidos / Aramis Ribeiro Costa
15h - Depoimentos:
  • Aleilton Fonseca
  • Mayrant Gallo
16h – Debate

06/12 (Segunda-feira) - Auditório do Hansen – Ruy Espinheira Filho e Carlos Barbosa – Território 03 – memória e política

14h - Comunicações:
  • Tiago Santos de Sant´Ana: Beira de rio, correnteza / Carlos Barbosa.
  • Diogo Silva de Oliveira: De paixões e vampiros: uma história do tempo da era / Ruy Espinheira Filho.
  • Diogo Silva de Oliveira: Sargento Getúlio / João Ubaldo Ribeiro
  • Alanna Oliveira Santos: O que é isso, companheiro? / Fernando Gabeira
15h - Depoimentos:
  • Carlos Barbosa
  • Ruy Espinheira Filho
16h - Debate

09/12 (Quinta-feira) - Auditório da UFRB – Ordep Serra – Território 04 – o real e o fantástico: zonas limítrofes
14h - Comunicações:
  • Roberval Miranda de Santana: Sete portas / Ordep Serra
  • Lorena Santos Souza: O visitante noturno / Carlos Ribeiro
  • Alisson Gutemberg da Silva Souza: Sombras de reis barbudos / José J. Veiga
  • Caroline de Oliveira Silva: O invasor / Marçal Aquino
15h - Depoimentos:
  • Ordep Serra
16h - Debate

Celina Pereira

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

ARTISTA E POETA RONY BONN DECIFRA CONFECÇÃO ARTÍSTICA NO RECÔNCAVO

A existência de grandes escritores e poetas na literatura nordestina não é novidade, mas desde Gregório de Matos vive-se o conflito entre a necessidade de divulgação e a falta de leitores locais devido ao baixo índice de educação. Segundo dados recolhidos pela UNICEF em 2001, em Cachoeira, 53% nos pais de alunos matriculados na Rede Pública de Ensino, tinham de três a quatro anos de estudo. Ainda assim, há muitos poetas produzindo com seriedade e dedicação, sem a preocupação de que haverá ou não leitores. Os poetas são movidos pela necessidade de vida, como afirmou Ronny Bonn, artista plástico e poeta, nascido e criado na periferia de Cachoeira, que como demonstração do amor à arte afirma que “assinatura é uma bobagem” e que determina o valor das suas obras mediante apego; já vendeu caro e já deu de graça.

Rony Bonn, que hoje é tido como um dos expoentes da nova safra na região, aos poucos foi convivendo com artistas entrincheirados nos centros culturais da cidade e mostrando que também sabia versejar. Em H menor, Bonn traz uma inquietação universal: “A minha magreza/Não é problema de inanição/A questão/De fato/É que há coisas que não dá para engolir”. Bonn diz que a arte é poderosa, que suas obras são originais, atemporais e revolucionárias transmitindo um realismo muitas vezes doloroso. Utiliza os mais diversos materiais que por vezes seriam considerados lixo para construir seus quadros, explora o breu, o grosso, poluente e o relevo. Afirma-se um artista pobre e reconhece sua arte como válvula de escape, “Só sei que me sinto bem mexendo com as palavras”, comentou.

Como poeta participou em 1992 da Antologia Quadrado Poético, tem participado de diversos encontros literários, destacando-se no 2° Caruru dos Sete Poetas; Sambando na Poesia e Poesia Ouvida. Como artista plástico participou em 1988 com a série CAMPO MINADO, exposição coletiva do Solar Ferrão-Salvador; 7° Bienal de Arte do Recôncavo com a obra Depois de Cristo, no Centro Cultural Dannemman (2004), São Félix, neste mesmo ano expôs na Casa do Maranhão e na Universidade Federal do Maranhão, em São Luis; em 2008 com ZYLON B, resina e óleo sobre tela, participou da 9° Bienal de Arte do Recôncavo- Centro Cultural Dannemman, São Félix. Embora já tenha reconhecimento cultural, teve várias obras recusadas, onde julga ter sido “incompreendido”, e ainda não tem nenhum livro publicado, situação que se depender da atuação dos integrantes da arte do recôncavo, deve mudar no futuro, por mais que ele pareça incerto.

Quando interrogado sobre se a cidade de Cachoeira atendia suas necessidades e expectativas artísticas, disse que sim, quando há possibilidade de expor artes em recitais, saraus e encontros que proporcionam divulgação e premiação. “Cachoeira é uma cidade histórica onde há uma transição de gringo e onde quer que a gente vá quem dá valor a nossa arte é a gente”, comenta Bonn, quando comparando a cidade com Salvador, onde morou por algum tempo e preferiu voltar. Sobre a importância do reconhecimento de leitores e admiradores regionais reconhece que ficaria mais feliz com a interação e valorização dos conterrâneos, vendo uma mobilização maior nos jovens dessa geração.

O jornalista e poeta alagoano radicado na Bahia José Inácio Vieira de Melo, organizador da coletânea Concerto lírico a quinze vozes, lançada em 2004, obra que reúne trabalhos de diversos nomes do interior baiano disse: “O que vejo entre os novos poetas das cidades do Recôncavo, todos com a sensibilidade aguçada pela herança africana que se espalhou nas margens do Paraguaçu, mas que nunca perdem a conexão com o resto do mundo, é uma necessidade de mostrar o tipo de arte que estão fazendo. E eles estão conseguindo, pouco a pouco”. (Fonte: Correio da Bahia, Caderno Repórter de 18/03/2007 - http://terreirocultural.multiply.com/journal/item/8)

Laís Sousa

A ESTREITA RELAÇÃO ENTRE JORNALISMO E LITERATURA

Os textos literários ganham cada vez mais espaço, prova disso é o crescimento constante dessas obras nas adaptações para as telas de cinema e televisão que tem levado muitas obras memoráveis ao conhecimento de um público maior; sem contar nas letras de músicas que são inspiradas em poemas riquíssimos de nossa literatura, muitos são integralmente cantados por grandes nomes da música brasileira. Contudo, não é só nas áreas de entretenimento que a literatura mostra sua influência. O jornalismo, que é por excelência o meio confiável de informar aos cidadãos, também pode beber da fonte da literatura, é o chamado Jornalismo Literário.

 O professor do curso de jornalismo do CAHL, Carlos Ribeiro, explica esse tipo de jornalismo dizendo que em Jornalismo Literário, o substantivo é a palavra jornalismo, então, significa que ele tem a ênfase no jornalismo. Ele tem que estar ligado com acontecimento de interesse público, de interesse jornalístico. Mas o tratamento que se dá a esse texto pode ter uma linguagem literária no sentido de um romance, por exemplo. Pode contar uma história, e mesmo assim não perderá o valor jornalístico.

JORNALISMO E LITERATURA

 Esse tipo de jornalismo pode usar uma linguagem metafórica, trabalhar com descrição, falar de sensações, sentimentos e dos pensamentos dos personagens. Tudo com uma liberdade bem maior. O jornalista está preso ao fato, ao acontecimento, àquela coisa que ele está informando e noticiando, mas quando ele dá o tratamento literário, aprofunda mais as questões, faz um movimento no sentido de mergulhar nas causas, de contextualizar as informações, de humanizar.

Para Carlos Ribeiro, humanizar é uma palavra muito importante. Com a linguagem literária, o jornalista humaniza, torna o texto mais interessante ao leitor. Potencializa, por meio da linguagem literária, os significados contidos nos acontecimentos, porque em cada acontecimento temos uma quantidade de coisas que ficam fora da mera informação.

 Por exemplo, a notícia diz que “Fulano de tal matou a mulher”, mas se formos contar a história das motivações daquilo, a história que está por detrás, que está na sombra daquele acontecimento, vamos enriquecer muito mais o texto. Esse tipo de tratamento nos permite aprofundar uma questão, compreender o acontecimento como um fenômeno social, como fenômeno psicológico.


Aline Sampaio