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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

COMÉRCIO AMBULANTE É MEIO DE VIDA EM CACHOEIRA

O comércio em Cachoeira – BA está em desenvolvimento e se estendendo cada vez mais. A demanda de produtos é alta, pois com a chegada da Universidade e com a contínua visita de turistas, é necessário que esses produtos sejam suficientes para suprir a todos. Existem alguns supermercados e mercadinhos por toda a cidade, mas é impossível andar pelas ruas e não encontrar vários vendedores ambulantes. Vendem dos mais diversos tipos de produtos, desde CD’s piratas a doces caseiros.

Os ambulantes dividem espaço com os pedestres e carros, entre calçadas estreitas e ruas, tentando, de alguma forma, conquistar algum espaço onde possam colocar seus materiais de trabalho e se fixar por um tempo para conseguir algum dinheiro. Afinal, com o alto índice de desemprego, a única alternativa para essas pessoas foi recorrer ao trabalho ilegal.

A maioria dessas pessoas tem como renda apenas o que tiram durante o dia para sustentar a família, a casa. Vê-se nessa situação a Marta Santana, 38 anos, que tem uma barraca de doces caseiros e artesanais na Rua Prisco Paraíso, no Centro de Cachoeira. Marta e seu marido trabalham há mais de 20 anos apenas nessa barraca, que é de onde sai todo o sustento da casa. 



História


Há mais ou menos 20 anos, quando Marta conheceu seu marido, resolveram se juntar, mas não tinham nenhuma renda, e nem onde morar. Como a família dele já trabalhava como barraqueiros, decidiram então, montar uma barraca, que antes era na frente do Mercado, mas hoje se situa no centro.

Vendendo doces, o casal conseguiu construir a sua casa própria e criar os cinco filhos, que quando não estão estudando, ajudam na manutenção da barraca. Marta não tem graduação, nem nenhum curso técnico, mas conseguiu terminar o Ensino Médio. Tem noção da importância dos estudos na vida das pessoas, por isso, incentiva seus filhos a estudarem, para que no futuro não precisem continuar o trabalho da mãe; que consigam entrar em alguma faculdade e, posteriormente, arrumarem um emprego e possuírem um estilo de vida melhor.

Marta sempre trabalhou muito, desde pequena ajudava a mãe em casa e nunca viu de forma negativa que a mulher trabalhe. “As pessoas nunca me desrespeitaram, sempre viram com bons olhos o meu trabalho”, confirma Marta, que diz nunca ter sofrido nenhum preconceito na barraca, desde que exerce essa função, já que é mulher e ajuda a sustentar a casa. Pelo fato de ter ajudado desde nova sua família, não se imagina fazendo outra coisa que não seja trabalhar. “Não me sentiria bem vendo meu marido trabalhar e não fazer nada. Me orgulho de poder trabalhar e contribuir com o rendimento familiar”.

 “Eu e meu marido nos mantemos da barraca já tem muito tempo. A barraca nos dá uma estabilidade. Minha vida toda é isso, eu não trabalho em outra coisa. Meu esposo sempre trabalhou aqui, mas hoje está trabalhando em uma firma. Nas folgas, finais de semana e feriados ele trabalha vendendo os frios, como água, refrigerantes e cerveja nos ônibus”.

Por ser um pequeno negócio, sua demanda fica desfavorecida pela grande variedade dos supermercados, a maioria das vezes as pessoas preferem comprar nos lugares maiores a comprar na barraca. “Mas mesmo assim, tenho minha clientela, trato bem todo mundo, converso, tenho carisma. Tenho uns clientes fixos, e isso gera um ciclo de vendas suficiente para manter o sustento da família”, diz Marta sobre como sua relação com seus fregueses. Marta e sua família nunca pensaram em abrir mão do negócio. Vivem desse trabalho e se vincularam a esse modo de vida. Acostumaram-se com a condição e tentam fazer o melhor que podem para angariar mais clientes e poder melhorar um pouco a instalação da barraca.

Para se organizar, Marta pela manhã cuida da casa e da comida, e a partir das 9:30h vai para a barraca, onde trabalha até 19:00h aproximadamente. Para fazer seus pedidos, vai à Feira de Santana, e solicita algumas mercadorias e quantidades. Mas também pega outras mercadorias com locais.

A oscilação de vendas dificulta um pouco a renda, Marta explica os ajustes: “Quando é dia de feira ou início de mês, as vendas aumentam; em dias normais e final de mês, cai um pouco as vendas. Esse ritmo sempre acontece, é normal”. Esse movimento frequente acontece em todos os tipos de negócios, nos grandes, e principalmente nos menores. Marta, com sua experiência, não se assusta mais com essa agitação dos negócios, sabe os momentos de pico, e os mais escassos.

Sua barraca acompanha e de certa forma, é consequência de tudo que acontece na cidade de Cachoeira. O desenvolvimento econômico também atinge a todos que possuem até um pequeno comércio. Com a chegada da UFRB – Universidade Federal do Recôncavo Baiano – e com a instalação de mais empresas, a demanda de produtos aumentou, pois Marta além de trabalhar com seus artigos individuais, também faz pedidos em grande quantidade. Marta considera esse desenvolvimento uma coisa boa, vê o reflexo da ampliação econômica em seu trabalho.



Novos Projetos

Marta não teve muitas oportunidades. Encontrou na barraca sua única forma de sobrevivência. Mas a família tem projetos. Pretendem ampliar o negócio, através de empréstimos e com a ajuda do governo. “A gente tem dificuldade de capital de giro, que às vezes a gente não tem. Eu acho que agora vai melhorar porque com um empréstimo disponibilizado pelo governo, com juros baixos, a partir de janeiro a situação melhora. Vamos melhorar o ambiente, o físico da barraca, o estado que não está legal, está feia, mas não queremos mudar de lugar”, expõe Marta sua situação atual.

A história de Marta não é única e se repete no país e no mundo. As taxas de desemprego oscilam, no ano de 2009 no Brasil, a taxa de desemprego foi de 8,1%. Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – em dezembro de 2009 o número de trabalhadores ocupados era de 21,8 milhões, o que aponta uma alta de 1,0% em comparação a novembro do mesmo ano. Esse dado é semelhante para a maioria das cidades do Brasil, inclusive Cachoeira.

O sociólogo britânico Anthony Giddens aponta os índices de desemprego com grande movimento no decorrer do século XX. Em seus estudos, Giddens afirma que não é fácil definir desemprego, pois não é apenas “estar sem emprego”, e “trabalho” seria um trabalho remunerado e reconhecido. Mas muitas pessoas que estão oficialmente desempregadas podem exercer funções produtivas, como pintar a casa ou cuidar do jardim. Mas, muitas pessoas, como a Marta, atuam na sociedade no comércio informal, por conta própria, outras pessoas têm emprego remunerado de meio turno, ou apenas arranjam trabalhos temporários. As oportunidades de emprego estão cada vez mais difíceis, assim como a profissionalização. Então as pessoas buscam, das mais diversas formas, um modo de subsistência.

Essa situação não é culpa de um único órgão. É o resultado de todo um contexto social e histórico que acarretou todos os erros sociais que a sociedade continua a cometer. Mas enquanto essa deficiência não é resolvida, não adianta julgar e reprimir essas pessoas, que, como Marta, passam por muitas dificuldades, como trabalhar na rua, a pouca renda, dificuldade de conseguir manter a família. Essas pessoas também devem ser respeitadas, independente da sua situação social ou do seu estilo de vida.


Bárbara da Rocha
Laís Sousa

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

CENTROS SOCIAIS DE CACHOEIRA ORIENTAM JOVENS A EVITAR O MUNDO DAS DROGAS


O Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e o Projeto Camelo, patrocinada pelo grupo VOTORANTIM, são dois centros de assistência social que funcionam em Cachoeira com o objetivo de prevenir  o ingresso da juventude marginalizada no mundo das drogas.  

Embora sejam consideradas instituições recentes na cidade, o CRAS, com dois anos, e o Projeto Camelo, com um ano, vêm fazendo a diferença na vida da juventude que freqüenta regularmente as propostas oferecidas. Segundo  dados do Projeto Camelo são atendidos  70% dos 109 inscritos. Os responsáveis pelos dois projetos afirmam manter uma divulgação intensa de suas ações, por meio dos próprios alunos e das visitas dos assistentes sociais na comunidade, atendendo as demandas  instantaneamente. O acolhimento inicial é feito pelos assistentes administrativos, na presença de responsáveis, e posteriormente os jovens  são encaminhados para técnicos da referência.

AULA DE VIOLÃO CRAS
Entretanto, nenhuma das duas instituições sabe ainda como será a continuidade do trabalho realizado a partir do momento em que os jovens atingirem a idade limite definida pelo projeto para o acompanhamento. O coordenador do CRAS, José Costa, afirma não pretender deixar de acompanhá-los e dependendo do desempenho e interesse do aluno, continuar acolhendo-os na instituição. Já a coordenadora do Projeto Camelo, Ivana Rodrigues, diz que os jovens só são obrigados a sair quando o conselho tutelar e a promotoria mandam que eles saiam, pois alguns deles costumam cumprir medidas sócio-educativas para que não sejam presos.

O CRAS neste ano ganhou um espaço melhor adaptado por cobrança da fiscalização, enquanto o Projeto Camelo desde o início se estruturou num local alugado. Nos dois ambientes ocorrem atividades diárias, de segunda a sexta feira, das 8 às 17 horas. O CRAS oferece para os usuários dos programas sociais cursos de corte e costura, bordado, pintura, crochê, violão e canto, enquanto o Projeto Camelo oferece capoeira, percussão, futebol, teatro.

Segundo o coordenador José Dias, o CRAS é “um programa do governo federal que funciona como uma casa de acolhimento para comunidade, mais próximo das comunidades em situação de vunerabilidade social, onde a desigualdade social é maior, para que chegue a assistência social nessas localidades e torne mais fácil o acesso à benefícios”. O Projeto Camelo acolhe jovens de 11 a 21 anos, tem parceria com o grupo Gamge (Instituição organizacional governamental de Doutora Rita) e OPC (Curso de informática). Além de diferirem quanto a ser um projeto público e outro não-governamental, a maior diferença entre as instituições encontra-se na explicação do coordenador do CRAS, onde  “quem recebe Bolsa Família automaticamente tem direito a atividades sócio-educativas e atividades lúdicas, como o PROJOVEM, que tira o tempo ocioso de jovens de 15 a  17 anos ou  PETI, o programa de erradicação do trabalho infantil”.

A psicóloga do CRAS, Abgail Santana, salienta que o trabalho feito com aqueles jovens visa sempre fazê-los interagir e conhecer sua comunidade para que se sintam parte dela. A psicóloga ainda aponta que apesar do projeto ter a função de fazer o monitoramento da família, recadastramento, observar se encontram-se nas mesmas condições de vida ou emergiram, é difícil fazer a manutenção do quadro devido à troca de profissionais na instituição, que implicam na interação e vinculo que são criados com os jovens. Reclamação também apontada por Leonardo Marques, secretário do Projeto Camelo desde sua implantação.

AULA DE TEATRO NO PROJETO CAMELO
O coordenador e psicóloga do CRAS observam que a comunidade adotou o ambiente, valorizando e protegendo o espaço, porém ainda se registram algumas evasões dos alunos que podem ser motivadas pelo descumprimento de algumas propostas de lazer por falta de disponibilização de verba. A coordenadora do Projeto Camelo acredita que essa irregularidade se tornou maior nesse segundo semestre  e a causa pode ser atribuída à  “correria de final de ano na escola”.  No geral, os jovens têm interesse em aprender e gostam de estar nas instituições, não se importando com a distância que tenham que percorrer para estarem lá fielmente. “Alguns sabem que tem que cumprir medidas sócio-educativas, mas a maioria gosta de estar participando. O maior índice de presença é no futebol e são disponibilizados lanches para alunos de casa turno. Cada aluno tem direito a fazer duas atividades”, diz a coordenadora Ivana.

Os pais gostam que eles estejam envolvidos naqueles projetos, “é melhor que estar pelas ruas”.  Laura, 17 anos, sorri com o violão do CRAS nas mãos. A coordenadora do Projeto Camelo salienta a importância que dão ao acompanhamento dos pais nas reuniões que influenciam no apoio psicológico que será dado aos alunos a partir da descoberta dos problemas que enfrentam nos lares, mas percebe que essa interação é mínima e aumenta somente quando há alguma oferta de sorteio, brindes ou café da manhã.

“Aqui nós temos mais informações e aumenta nossa expectativa de crescer profissionalmente”, afirma a aluna do CRAS, Andresa, de 15 anos. Os adolescentes do Projeto Camelo afirmam sua felicidade com a atenção que destinavam na confecção de máscaras e no ensaio de uma das suas peças teatrais que fui convidada a assistir para comprovar seus desenvolvimentos.

 Laís Sousa